Crato é um município brasileiro do interior do estado do
Ceará. Localiza-se no sopé da Chapada do Araripe no extremo-sul do estado e na
Microrregião do Cariri, integrante da Região Metropolitana do Cariri.
Divisa com o estado de Pernambuco, a cidade situa-se no
Cariri Cearense, conhecido por muitos como o "Oásis do Sertão". É a
segunda cidade mais importante do Cariri em termos econômicos depois de
Juazeiro do Norte, constituindo também um entroncamento rodoviário que a
interliga ao Piauí, Paraíba e Pernambuco, além da capital do Ceará, Fortaleza.
O topônimo Crato vem do latim curatus, que significa padre
ou designação de lugares com condições de tornar-se paróquia, podendo ser uma
alusão a:
A vila portuguesa de Crato, no Distrito de Portalegre,
região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo;
Curato de São Fidélis
de Sigiarina, que corrompeu-se depois para Curato de São Fidélis, Cutato,
Crato.
Já o topônimo Miarada é uma alusão ao um dos chefes da tribo
do Kariri, batizado com esse nome.
Sua denominação original era Missão do Miranda, depois
Missão dos Cariris Novos, Aldeia do Brejo Grande e Vila Real do Crato e, desde
1842, Crato.
As terras as margens do rio Jaguaribe-Mirim (e seus
afluentes) e da Chapada do Araripe eram habitadas por diversas etnias
indígenas, dentre elas os Kariri, Aquijiró, Guariú, Xocó, Quipapaú e tantas
outras, antes da chegada das entradas e/ou missões religiosas dos portugueses,
italianos, baianos, paraibanos e sergipanos.
om a expulsão dos neerlandeses do nordeste brasileiro, os
portugueses e outros brasileiros puderam adentrar e explorar melhor a terra do
Siará Grande.
Acredita-se que primeira penetração no território do Cariri
aconteceu durante século XVII, com a bandeira dos irmãos Lobato Lira. Desta
bandeira, participaram dois religiosos: um padre secular e um frade capuchinho,
que ganharam a confiança dos índios kariri e conseguiram aldeá-los. Estes
exploradores subiram o leito do Jaguaribe-Mirim e instalaram nos arredores da
cachoeira dos Karirys (cachoeira de Missão Velha).
Tempos depois, o frei capuchinho Carlos Maria de Ferrara
organizou, às margens do rio Itaitera (água que corre entre pedras), o maior e
mais importante aldeamento de silvícolas na região. Este recebeu o nome de
"Missão do Miranda", em homenagem a um dos chefes da tribo batizado
com esse nome. Mais tarde, também aparecem as denominações "Miranda"
e "Cariris Novos". A Missão do Miranda, sob a administração dos
capuchinhos, prosperou, devido à fertilidade do solo e abundância de água, que
possibilitaram o cultivo da cana-de-açúcar, mandioca e cereais. Manuel Carneiro
da Cunha e Manuel Rodrigues Ariosto requereram, através da lei de sesmaria, a
posse das terras adjacentes ao Rio Salgado, fato que culminou na elevação da
missão a povoação.
A Praça da Sé, no centro comercial da cidade, com a catedral
ao fundo.
A primeira manifestação de apoio eclesiástico aconteceu em
terras doadas pelo capitão-mor Domingos Álvares de Matos e sua mulher, Maria
Ferreira da Silva. Essa doação localizava-se, inicialmente, em terras
encravadas a dois quilômetros a sudeste da povoação, transferindo-se, em data
posterior, para a margem direita do rio Granjeiro. Os trabalhos da primitiva
Igreja, dedicada a Nossa Senhora da Penha de França, tiveram início em 1745,
tendo como responsável, o frei Carlos Maria de Ferrara e seu companheiro frei
Fidélis de Sigmaringa. Em 1762, foi criada a Paróquia, na aldeia do Miranda,
sob a invocação de Nossa Senhora da Penha.
A edificação desse primitivo templo revela o atraso de sua
época, considerando sua estrutura como as paredes de taipa, piso de barro
batido e coberta de palhas, tendo ainda os caibros e ripas trançados de cipós.
A permanência desses religiosos, no que se chamou de Missão do Miranda,
estendeu-se por espaço de dez anos.
A freguesia criou-se por provisão de março do ano de 1762 e
inaugurou-se a 4 de janeiro de 1768, tendo como seu primeiro vigário o padre
Manuel Teixeira de Morais. Com o desgaste do tempo, a estrutura física entra em
deterioração, situação que levou o padre Antônio Lopes de Macedo Júnior, pároco
da Freguesia de Nossa Senhora da Penha, a endereçar requerimento à Junta do
Real Erário, solicitando fundos necessários à construção da capela-mor ou
igreja matriz. Atendido o seu pedido, iniciaram-se os trabalhos cuja conclusão
data de 1817, constando os atos inaugurais de 3 de maio do mesmo ano.
A povoação de Miranda elevou-se à categoria de vila em 16 de
dezembro de 1762, tendo sido instalada em 21 de junho de 1764 como Vila Real do
Crato, no século XVIII, constituindo um dos mais importantes núcleos de
povoamento na época colonial no interior do Nordeste. Foi tornada cidade pela
Lei Provincial nº 628, de 17 de outubro de 1853.
O município conta instituições que promovem a cultura como:
a tradicional
Sociedade de Cultura Artística do Crato (SCAC). No mês no novembro, de cada
ano, a unidade SESC da cidade promove uma mostra de teatro com companhias de
todo país;
a banda Cabaçal
dos Irmãos Aniceto sua principal expressão de cultura popular, embora existam
muitos outros grupos folclóricos. A cidade reúne pequenos festivais de
tradições populares nordestinas;
antiga estação
ferroviária, hoje um Centro Cultural;
o Seminário São
José, a Igreja da Sé e seu entorno;
o Museu Histórico
com várias peças do século XVIII e XIX e artefatos dos primeiros habitantes (os
índios cariús);
Museu
Paleontológico (edificação mais antiga do Crato em cujo interior encontra-se
fósseis de animais que viveram na região há milhões de anos).
Os principais eventos culturais do Crato são:
Festa da
Padroeira: Nossa Senhora da Penha (1 de setembro);
Carnaval
(fevereiro);
Semana do
Município (21 de julho);
Expocrato (julho).
A economia local é baseada na agricultura de feijão, milho,
mandioca, arroz, monocultura de algodão, cana-de-açúcar, castanha de caju,
hortaliças, banana, abacate e diversas frutas. Na pecuária extensiva destaca-se
criação de bovinos, ovinos, caprinos, suínos e de aves.
O extrativismo vegetal também estimula a economia local com
a extração de madeiras diversas para lenha e construção de cercas, uso em
padarias e fabricação de carvão vegetal; atividades com babaçu, oiticica e
carnaúba.
O artesanato, também é uma outra fonte de renda, de redes e
bordados é bastante difundido no município.
A mineração gera fonte de renda através da extração de
rochas ornamentais, rochas para cantaria, brita, fachadas e usos diversos na
construção civil. Bem com a extração da areia, argila (utilizada no fábrico de
telhas e tijolos) e de rocha calcária (calcinada para obtenção de cal e
gipsita).
A piscicultura desenvolve-se nos córregos e açudes.
Registram-se ainda nas terras do Crato a ocorrência de
gipsita, utilizado na fabricação de cimento Portland, gesso e na correção de
solos salinos, e chumbo.
No parque industrial do Crato localizam-se 95 indústrias.
Centro comercial de Crato.
A cidade do Crato em termos econômicos, constitui-se numa
cidade com expressiva importância regional. Destacando-se pela tradicional
função de comercialização de produtos rurais, provenientes do desenvolvimento
da agricultura no sopé dos vales irrigados da região do Cariri. Nesta área,
destaca-se a famosa Expocrato, feira agropecuária que inclui também shows com
bandas e cantores famosos e atrai milhares de visitantes à cidade todo mês de
julho. A cidade também comercializa produtos industriais (alumínio, calçados,
cerâmica, aguardente) para os demais centros urbanos do Ceará.
A cidade conta com seis agências bancárias e, conforme o
IBGE, o PIB da cidade era de 343 642 000 reais em 2004. A principal atividade
econômica da cidade é o setor de comércio, cerâmica vermelha e serviços, que,
segundo dados de 2002, é responsável por 68,8% do PIB municipal. Ainda pelos
mesmos dados, a indústria responde por 27,6% do PIB e o setor agropecuário,
embora bastante destacado na cidade graças à famosa feira agropecuária da
Expocrato, é responsável por apenas 3,6%. Em 2005 o PIB de Crato foi R$
116.122.000 maior que no ano anterior, totalizando o valor de R$ 459 764 000. O
setor de comércio e serviços continua a ser o maior empregador da cidade, a
verificar-se a presença de lojas de rede regional e nacional.
Exite uma parcela significativa da população dedicada à
prestação de serviços.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Crato_%28Cear%C3%A1%29
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